Blog que conecta você ao mundo da arte contemporânea.
  • OBRAS DE ARTE
    • Obras
    • Artistas
    • Seleções temáticas
  • PEÇAS DE DESIGN
    • Peças
    • Designers
    • Seleções temáticas
  • REVISTA
  • AGENDA

“Tupinicópolis é aqui?”: Debatendo o carnaval 

Publicado por Victoria Louise em 19/08/2022
Categorias
  • Arte no mundo
  • Entrevista
Tags
  • arte
  • arte contemporânea
  • obra de arte

02.03.1987 - Ricardo Leoni - RI - Desfile da Escola de Samba "Mocidade Independente de Padre Miguel", com o enredo "Tupinicópolis" - Cromo 87-0378

Avaliar post

Ciclo de debates reflete múltiplas relações entre carnaval e arte ao longo de cinco encontros online

As artes visuais e suas linguagens sempre tiveram uma grande facilidade de incorporar diversas áreas e expressões artísticas populares, seja tematizando-as ou estabelecendo cruzamentos criativos. Desde a arte moderna à contemporânea, pelas quais se tornou mais comum o interesse por expressões populares, encontramos produções artísticas que referenciam festas tradicionais ou se apropriam de seus elementos vestuários, rítmicos e estéticos.

O carnaval, festividade que se enraizou no Brasil de maneira única e adquiriu inúmeras versões espalhadas pelo território, está presente no imaginário nacional e é um dos principais movimentos de ocupação das ruas e democratização cultural no país. 

Envolvendo diversas linguagens como a música, a moda e as próprias artes plásticas, o carnaval se configura como uma das mais populares expressões artísticas de caráter coletivo. No entanto, ainda que as artes visuais e seus circuitos específicos tenham se apropriado do carnaval em diversos momentos, pouco o discutiu profundamente. É o que afirma Alayde Alves, colecionadora e articuladora que pesquisou o carnaval em sua monografia “Joãosinho Trinta e a arte de carnavalizar” (PUC-SP, 2009): “Diferentemente de muitas outras que estão na invisibilidade, ela [a arte do carnaval] é tão vista, mas nada inserida.”

Ciclo de Debates “Tupinicópolis é aqui?”. Imagem: Divulgação.

Para estimular a discussão em torno do carnaval e suas relações com outras expressões artísticas, a colecionadora está promovendo o ciclo de debates “Tupinicópolis é aqui?”, dentro do projeto NO BARRACÃO, co-realizado pelo Projeto Carnavalize, uma plataforma voltada para a valorização e disseminação da história e personagens marcantes do carnaval carioca. A plataforma já realizou exposições virtuais, além de possuir um selo literário, tendo publicado até agora 9 títulos.

O ciclo de debates é proposto pelos curadores Clarissa Diniz, Leonardo Antan e Thais Rivitti, que convidaram artistas e pesquisadores de diversas áreas para pensar as relações entre carnaval e arte através de diferentes perspectivas. 

O título do ciclo é emprestado do icônico desfile “Tupinicópolis”, concebido por Fernando Pinto para a Mocidade Independente de Padre Miguel em 1987. Fernando Pinto foi uma importante figura das artes cênicas, atuando como diretor, cenógrafo e figurinista. Fez parte do grupo Dzi Croquettes e assinou a direção de shows de artistas como Elba Ramalho, Chico Anysio, Simone e Ney Matogrosso. Como carnavalesco, foi campeão do carnaval em 1972 e 1985 ao trabalhar com as escolas Império Serrano e Mocidade Independente. 

No enredo de Tupinicópolis, o carnavalesco imaginou junto à escola de samba, uma metrópole indígena futurista. Nos termos do próprio artista, tratava-se de uma “ficção científica tupiniquim”, uma utopia possível para indígenas em um futuro que supera um passado colonial. 

Alayde completa afirmando que discutir a influência do carnavalesco é uma oportunidade de enxergar o carnaval como um suporte artístico: “É um suporte onde a arte é construída, é efêmera. E o fato dele não ser nobre, rico, não tira a potência artística dele”.

02.03.1987 – Ricardo Leoni – RI – Desfile da Escola de Samba “Mocidade Independente de Padre Miguel”, com o enredo “Tupinicópolis” – Cromo 87-0378

O ciclo de debates foi estruturado em cinco encontros que ocorrem desde julho e vão até setembro, transmitidos no canal do Carnavalize no YouTube. O primeiro encontro ocorreu em 18/07 e contou com a participação dos articuladores do ciclo de debates: Alayde Alves, Clarissa Diniz, Leonardo Antan e Thais Rivitti, que na ocasião apresentaram o projeto. 

Com participação de Fred Coelho, Beatriz Milhazes, Leonardo Bora e mediação de Leonardo Antan, o segundo encontro “Tropicalismo e cultura marginal” discutiu a efervescência cultural das décadas de 1960 e 1970 que possibilitou grandes trocas e encontros entre as artes do carnaval e outras institucionalizadas, como as artes visuais. 

Ainda que representações de culturas indígenas fossem o cerne do enredo do desfile pensado por Fernando Pinto, a construção dessa narrativa se estruturou em estereótipos e imagens exotizantes. Hoje, décadas após a realização do desfile, tem se discutido e problematizado mais sobre essas representações, não só no carnaval mas na cultura em um espectro mais amplo. O terceiro ciclo “Culturas indígenas e alteridade” se debruça sobre essas questões com a presença dos artistas e pesquisadores Abiniel João Nascimento, Sandra Benites e Ericky Nakanome, com mediação de Clarissa Diniz. 

O quarto encontro ocorre no dia 29/08, segunda-feira, sob a temática “Ficção, futuro e pensamento especulativo”, com o objetivo de discutir a criação de imaginários capazes de superar traumas estabelecidos na sociedade colonial. Já “Arte, protagonismo e capitalismo”, o último debate que ocorre no dia 12/09 com mediação de Clarissa Diniz e Thais Rivitti, centraliza as questões de trabalho, neoliberalismo e arte, a partir do desfile que imaginou figuras indígenas em posições de poder dentro da sociedade capitalista. 

Vista do desfile Tupinicópolis da Mocidade Independente de Padre Miguel em 1987. Reprodução: Carnavalize.

O ciclo de debates se encerra com uma série de questões levantadas e um campo aberto de discussões que merecem um grande trabalho de revisão. Alayde lembra da falta de inserção da arte do carnaval na história: “É preciso notar que os artistas carnavalescos não estão em nenhuma história da arte brasileira”. 

Perguntada sobre expectativas do impacto do ciclo de debates e do projeto como um todo, a colecionadora afirma esperar que o carnaval seja visto dentro de toda sua potência artística e criativa, assim como seus espaços se tornem cada vez mais valorizados: 

“[…] e que seus lugares possam ser visitados como os museus. De igual para igual. Um dos movimentos é que as pessoas conheçam a cidade do samba e visitem os barracões como se estivessem visitando um ateliê de artista ou um museu. E que elas frequentem o desfile, olhando-o também como essa potência artística”.

Para acessar os debates que já ocorreram, acesse o canal do Carnavalize neste link. 

Diogo Barros é curador, arte educador e crítico, formado em História da Arte, Crítica e Curadoria pela PUC SP.


Gostou desta matéria? Leia também:

Pluralidade artística brasileira inspira nova feira da SP–Arte

Compartilhar

Artigos Relacionados

Obra de Guto Neves com quatro esculturas geométricas em mármore preto sobre fundo branco, formando um vazio central.

Segunda Série: OBNM:01, de Guto Neves. Disponível no site da Artsoul.

01/06/2026

Esculturas de Guto Neves e a geometria do peso


Leia mais
26/05/2026

Fazer manual volta ao centro da arte contemporânea


Leia mais
Principais artistas do Pavilhão do Brasil

Da esquerda para a direita: Rosana Paulino, Diane Lima e Adriana Varejão. Foto: Igor Furtado / Fundação Bienal de São Paulo

18/05/2026

Brasil na Bienal de Veneza aposta em confronto histórico


Leia mais

Deixe um comentário Cancelar resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Categorias

  • Arte no mundo
  • Artistas
  • Design
  • Dicas
  • Entrevista
  • Exclusivo
  • Exposições
  • Galerias adentro
  • Geral
  • Livros
  • Mercado de Arte
  • Notícias
  • Perfil Artsoul

Inscreva-se na Newsletter

Preencha o formulário abaixo para se inscrever em nossa Newsletter e receber as últimas atualizações.
Ao se cadastrar você aceita nossos Termos de Uso e Politica de Privacidade.

Blog dedicado à publicação de notícias sobre arte contemporânea, assim como informações sobre o mercado, artistas e movimentos artísticos no geral.

CATEGORIAS

  • Arte no mundo
  • Artistas
  • Design
  • Dicas
  • Entrevista
  • Exclusivo
  • Exposições
  • Galerias adentro
  • Livros
  • Mercado de Arte
  • Notícias
  • Perfil Artsoul
  • Geral

ENTRE EM CONTATO

Horário de atendimento:
De Segunda a Sexta, das 10h às 17h

(11) 9 7283-9009

contato@artsoul.com.br

Artsoul 2023 © Todos os direitor Reservados
  • Desenvolvido por: Flaubert Dev