Bernardo Paz faz doação de acervo ao Instituto Inhotim

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O colecionador Bernardo Paz, fundador de Inhotim, anunciou na última semana a doação definitiva do acervo exposto no museu ao Instituto. Cerca de 400 obras de arte contemporânea, as galerias e os jardins que estão no parque fazem parte desse acervo.

O museu foi fundado com uma coleção privada aberta ao público de Bernardo Paz em 2006. Com a doação dessa coleção, o Instituto Inhotim passa a ser responsável por uma gestão cada vez mais independente do idealizador, deixando clara a intenção de fortalecer o caráter público da instituição.

Bernardo Paz, idealizador do Instituto Inhotim. Reprodução: Folha de São Paulo

“A doação é parte de um processo natural que nasce de um projeto de vida que foi se ampliando ao longo dos anos e agora é o momento de consolidar essa vocação pública e preparar isso para o futuro”, afirma Paz.

No ensejo desta ação, também foi criado um conselho que será instância máxima na gestão. O grupo terá Bernardo Paz como presidente, o empresário Eugênio Mattar, da Localiza, como vice e integrantes como Roberto Setúbal e Keyna Eleison. Além disso, os três novos gestores anunciados em 2021, o diretor presidente Lucas Pessôa, a diretora vice-presidente Paula Azevedo e a diretora artística Julieta González serão mais ativos no processo de decisão da aquisição de obras.

Mudanças já são vistas em Inhotim desde a abertura do espaço pós pandemia, com restauração de obra do Hélio Oiticica, de Laura Belém e um planejamento voltado para a valorização da relação entre arte e ecologia.

Uma outra proposta no radar da gestão é a inclusão de programação artística relacionada à afro-diáspora, como a parceria com o IPEA para trazer o Museu de Arte Negra idealizado por Abdias do Nascimento.

Organização da Sociedade Civil de Interesse Público, ou Oscip, cerca de R$ 60 milhões são necessários para manutenção anual do Instituto, dos quais dois terços são subsidiados por Paz e o restante é a reunião de recursos como bilheteria, patrocínio direto e leis de incentivo à cultura. Com as recentes mudanças, a expectativa é que o setor financeiro também ganhe mais independência com o passar dos anos.

Victoria Louise é jornalista cultural, formada em Crítica e Curadoria da Arte e Gestão Cultural pela PUC-SP.


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