CINEMATECA BRASILEIRA EM CHAMAS

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Incêndio atingiu o galpão da instituição localizado na Vila Leopoldina em São Paulo

Nesta quinta-feira (29), os principais meios de comunicação noticiaram o incêndio ocorrido em um dos galpões da Cinemateca Brasileira. Segundo o Corpo de Bombeiros, não houve vítimas. Trata-se do quinto incêndio ocorrido na história da instituição. 

Histórico de danos

A história recente da Cinemateca Brasileira tem sido marcada por crises que envolvem trocas de gestão, danos aos acervos, atraso de salários e demissão de funcionários, entre outras. 

O último incêndio havia ocorrido em fevereiro de 2016, em outro galpão da Cinemateca, localizado na Vila Mariana. No ocorrido, 1.003 rolos de filmes em nitrato de celulose foram perdidos, nos quais continham 731 títulos. 

Quatro anos depois, em fevereiro de 2020, um alagamento ocorreu no galpão da Vila Leopoldina, atingindo um material secundário, como mobiliário e material gráfico. 

Bombeiros controlam o incêndio no galpão da Cinemateca Brasileira, em São Paulo, na quinta-feira.CARLA CARNIEL / REUTERS. Reprodução: El País. 

Abandono 

Estes momentos são sinais claros de um abandono que a Cinemateca Brasileira sofre há anos. O ápice chegou em Julho de 2020, quando funcionários tiveram seus salários atrasados, posteriormente sendo demitidos após o governo Bolsonaro assumir a gestão da instituição. A última gestão oficial foi da Associação de Comunicação Educativa Roquete Pinto (Acerp), que teve contrato encerrado em 31 de dezembro de 2019.

A iminência de um novo incêndio na Cinemateca vem sendo anunciada por funcionários, trabalhadores do setor e pelo próprio Ministério Público Federal há mais de um ano. No início de 2021, a Sociedade Amigos da Cinemateca assumiu a gestão da instituição até que uma nova licitação fosse realizada. 

O novo edital foi lançado nesta manhã de sexta-feira (30) pela Secretaria Especial da Cultura, que prevê uma gestão de 5 anos por alguma entidade privada sem fins lucrativos. 

Nessa sequência de desastres já previstos, porém ignorados, nossos acervos são queimados e nossa memória cultural é gradualmente apagada. 

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Diogo Barros é curador, arte educador e crítico, formado em História da Arte, Crítica e Curadoria pela PUC SP.

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