59ª Bienal de Veneza terá Jonathas de Andrade e Jacopo Crivelli como representantes do Brasil

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O curador Jacopo Crivelli foi nomeado para representar o Brasil na 59ª Exposição Internacional de Arte – La Biennale di Venezia, prevista para acontecer entre 23 de abril e 27 de novembro de 2022.

O anúncio, feito nesta quarta-feira (15) pela Fundação Bienal, menciona que é uma tradição convidar o curador geral da Bienal de São Paulo para representar o país no pavilhão nacional de Veneza, mas Jacopo Crivelli também se destaca pelo “amplo conhecimento que demonstra sobre a arte contemporânea brasileira”, segundo o presidente da instituição, José Olympio da Veiga Pereira.

Crivelli selecionou o artista alagoano Jonathas de Andrade, que vem desenvolvendo sólido trabalho nas artes visuais e prepara uma instalação inédita e comissionada para o evento internacional mais importante das artes visuais. 


Jonathas de Andrade. Foto: Jéssica Bernardo. Reprodução de Fundação Bienal de São Paulo

A ideia de representar o Brasil hoje, seja onde for, é antes de tudo um desafio pela responsabilidade diante do quadro de complexidades cruciais que o país enfrenta”, declarou o artista conhecido principalmente pela participação na 32ª Bienal de São Paulo (2016) com a videoinstalação O Peixe [The Fish]. 

De acordo com Jacopo Crivelli, “o artista busca em seus trabalhos a ideia de uma cultura autenticamente popular, em todas as possíveis acepções e na intrínseca complexidade dessa definição. O corpo, principalmente masculino, é o eixo norteador para abordar temas como o universo do trabalho e do trabalhador, e a identidade do sujeito contemporâneo, por meio de metáforas que oscilam entre a nostalgia, o erotismo e a crítica histórica e a política”.


Fotograma de O Peixe (2016) – Imagem: 32ª Bienal de São Paulo, “Incerteza Viva”

A 59ª Bienal de Arte de Veneza, denominada “The milk of dreams”, tem curadoria geral de Cecília Alemani e foi inspirada no livro de mesmo nome da artista surrealista Leonora Carrington (1917-2011). Três são os temas principais trazidos pela curadora: a representação dos corpos e suas metamorfoses; a relação entre indivíduos e tecnologias; a conexão entre os corpos e a terra. 

Segundo Alemani, “embora os eventos dos últimos meses tenham gerado um mundo dilacerado e dividido, a exposição The milk of dreams tenta imaginar outros modos de coexistência e transformação. Por isso, apesar do clima que a criou, aspira a ser uma exposição otimista, que celebre a arte e a sua capacidade de criar cosmologias alternativas e novas condições de existência. Isso pede aos artistas que não revelem quem somos, mas que absorvam as preocupações e medos desta época e nos mostrem quem e o que podemos nos tornar”. 

A declaração demonstra como a proposta está alinhada ao discurso da 34ª Bienal Internacional de São Paulo, uma vez que ambas lêem os acontecimentos do presente a partir de uma ótica de transformação e abertura para possibilidades de existência.

O Pavilhão do Brasil se localiza nos Giardini, os jardins da Bienal de Veneza, e foi construído em 1964 a partir de um projeto do arquiteto Henrique Mindlin. 


Victoria Louise é crítica e produtora cultural, formada em Crítica e Curadoria e Gestão Cultural pela PUC-SP.


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