Vik Muniz inaugura em dezembro a Galeria “Lugar Comum” na Feira de São Joaquim em Salvador

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O artista plástico contemporâneo Vik Muniz inaugura em dezembro o espaço que chama de “Lugar Comum”, uma galeria de arte localizada na Feira de São Joaquim, uma das maiores feiras populares da Bahia. 

Vik Muniz, artista em destaque no cenário nacional e internacional, declara que tem gosto pessoal pela cidade de Salvador e escolheu a Feira de São Joaquim porque ela desperta um “bombardeio sensorial”. Está, inclusive, construindo uma casa na cidade para passar mais tempo no local. 

O projeto tem como objetivo “democratizar o acesso à arte contemporânea e aproximar o público de importantes nomes do meio artístico. Em uma espécie de negociação com a arte pública, a iniciativa tem como objetivo trazer o cubo branco característico das galerias de arte para lugares inesperados”, segundo o site oficial.

Lugar Comum tem em sua programação de abertura uma exposição individual de obras do artista Ernesto Neto no dia 18 de dezembro. Outros artistas estão cotados para participar da programação da galeria, como a carioca Maria Nepomuceno, o islandês Olafur Eliasson e o britânico Anish Kapoor, mas ainda não foram divulgados oficialmente.


Artista Vik Muniz – imagem: Correio24horas 

Vik Muniz anuncia, ainda, que “Lugar Comum” é um pontapé inicial para o desenvolvimento de outros projetos como uma possível galeria itinerante ou a construção de galerias em outras capitais como Caruaru, em Recife (PE), ou o bairro do Capão Redondo. 

VIK MUNIZ – O ARTISTA

Vik Muniz desenvolve seu trabalho artístico desde 1988 com um olhar sensível para as formas de construção da imagem, sua relação com a representação do mundo visível e os meios de comunicação. 

Releituras de obras de arte famosas como a Monalisa já fizeram parte das suas iniciativas. O retrato da Monalisa de Muniz é composto por geléia e manteiga de amendoim. Com calda de chocolate, pintou o retrato do pai da psicanálise, Sigmund Freud, além de criar também releituras de quadros do pintor Claude Monet. Essa série de obras nos incentiva a demorar o olhar e captar todos os detalhes da imagem. A relação demorada de observação que Vik Muniz induz contraria a lógica das mídias digitais, construídas para informar o máximo possível em um curto período de tempo.


Monalisa feita com geleia e pasta de amendoim. – Imagem: Cultura Genial

Em cartaz na Galeria Nara Roesler de São Paulo, a exposição “Fotoclubismo” faz parte de uma pesquisa da estética da arte moderna e principalmente do cubismo. Há um processo de intervenção em fotografias de obras do cubismo selecionadas pelo artista. Diversos materiais são adicionados como colagens, pinturas, impressões e, como ele aponta, são criadas “quantidades insanas de camadas”, que geram no espectador uma dúvida sobre onde estaria a superfície original.

É nessa amálgama que se pode entender a obra de Vik Muniz como uma das pérolas do circuito da arte contemporânea, integrando acervos de 165 instituições de arte pelo mundo.


Victoria Louise é crítica e produtora cultural, formada em Crítica e Curadoria e Gestão Cultural pela PUC-SP.


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