Artsoul entrevista Bettina Ravioli, criadora do Agenda Cultural

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Bettina Ravioli é art advisor, antiquaria e lojista, curadora da mostra Casa Clássica, professora de Mercado de Arte no curso de artes plásticas na escola Panamericana de arte e administradora do Agenda Cultural, grupo de compartilhamento de projetos e conteúdos entre pessoas do mercado de arte. 

Bettina Ravioli. Foto: Denise Andrade

Artsoul: Para início de conversa, que tal contar para gente o que faz uma art advisor? Esta é uma ocupação que muita gente ainda não conhece. 

Bettina Ravioli: Art Advisor é uma profissão de consultor para investimentos em obras de arte. Eu me certifiquei para esta função na UAL (Universidade de Artes de Londres), na Inglaterra esta profissão é regulamentada. 

Ser Art Advisor é aconselhar o cliente na compra e/ou na venda de obras de arte de acordo com o gosto, expectativa e necessidade do cliente com análise do mercado atual, procurando sempre fazer o melhor acordo com satisfação pessoal do cliente para entregar alto retorno financeiro no médio e longo prazo, valorizando o acervo adquirido e fazendo sua manutenção periódica. 

Bettina Ravioli e grupo em visita. Foto: Denise Andrade

Minha formação em administração de empresas, especialização em finanças e experiência prática trabalhando como analista de um grande banco dentro do mercado financeiro, me ajudou a ter um olhar prático para esta profissão e criou um olhar necessário para gerar bons negócios, buscando um retorno do investimento.

Minha formação em História da Arte na Escola de Arte de Firenze me ajudou a reconhecer prontamente as características básicas que procuro em uma obra de um artista – e se devo ou não adquiri-la para o acervo do meu cliente. A especialização em curadoria me deu ferramentas para reconhecer a técnica, conceito, processo e alma do artista para entregar para meu cliente a melhor obra de arte disponível no mercado – entre as milhares de possibilidades que o mercado atual globalizado e “instagramlizado” nos oferece.

Artsoul: Quando você começou a atuar no mercado de arte? 

BR: Eu comecei a atuar no mercado de arte em 1998, quando voltei da UCSD (Universidade da Califórnia de San Diego) com o projeto Casa Clássica, que sou curadora. Desde a primeira edição, em 2000, no Morumbi Shopping, a minha preocupação e principal objetivo era aproximar o mercado de arte através de espaços projetados e decorados por profissionais de arquitetura e decoração – em espaços públicos, para educar o público em geral, engajando e criando conexões através da arte na decoração. 

Artsoul: E qual das suas ocupações nesse meio veio primeiro? 

BR: Curadora da exposição e mostra Casa Clássica. Hoje, além de antiquária na Lucca Antiques no Shopping D&D, art advisor, art coach e art PR na Ravioli Casa, curadora da mostra Casa Clássica, administradora do “Agenda Cultural” nas redes sociais, sou fundadora do projeto de inclusão e reabilitação @artheorapia e me tornei professora de Mercado de Arte na escola Panamericana de Arte. Sou ainda fisioterapeuta, professora, fonoaudióloga, terapeuta ocupacional, arteterapeuta e mãe do Theo.

Bettina Ravioli e grupo em visita. Foto: Denise Andrade

Artsoul: Nós gostaríamos de saber um pouco sobre o Agenda Cultural. De onde surgiu a ideia de criar esse grupo? 

BR: O grupo de WhatsApp Agenda Cultural nasceu há 4 anos, quando o meu filho, Theo, de 8 anos, estava na UTI com H1N1, entubado, sedado, com apenas 1% da capacidade pulmonar e eu fiz um grupo para organizar um encontro no MAM para reunir meus amigos com os seus respectivos filhos para ver arte, brincar e socializar no fim-de-semana. 

O Theo, que tem necessidade especial, estava fora da escola e eu precisava que ele fosse incluído na sociedade através da arte, pelo menos. Apesar dos médicos falarem que meu filho não tinha esperança de vida, eu sabia e acreditava que ele sobreviveria e iríamos fazer este encontro – e assim aconteceu, pois a arte salva!

Artsoul: Para você, quais são os principais ganhos para os participantes deste grupo? 

BR: Eu vi, durante a pandemia, o grupo de Whatsapp Agenda Cultural lotar, e meu celular não parava de receber mensagens de participantes pedindo para adicionar no grupo o amigo produtor cultural, o namorado editor, a cunhada atriz, a irmã bailarina, o primo artista, a amiga fotografa, a marido diretor de arte, o cunhado galerista, o irmão curador, o vizinho cineasta, a prima chef de cozinha, a sócia art dealer, a enteada artista. 

Então decidi criar outros grupos de WhatsApp Agenda Cultural para receber todos apaixonados por arte. Hoje os grupos “Agenda Cultural” juntos reúnem centenas de pessoas compartilhando conteúdo cultural e artístico no Brasil e no exterior. 

Bettina Ravioli e grupo em visita. Foto: Denise Andrade

O grupo tem o objetivo de compartilhar conteúdo exclusivo de arte com a meta de educar. Na pandemia foi compartilhado, por exemplo, todos os viewing rooms (exposições de arte) das grandes feiras como Frieze, Art Basel e SP-Arte, entre tantos conteúdos gratuitos. Pessoas que estavam depressivas confessaram que suas vidas foram salvas pelo grupo, assim como casais foram formados ali também na pandemia. 

Foram infinitas lives, vídeos, depoimentos e nenhuma morte por covid, pois estavam todos salvos em casa e unidos pela arte. Eu criei o grupo Agenda Cultural para criar pontes, reunir pela arte e educar e por isso recebi o convite para ser professora da escola Panamericana, para ajudar os alunos de artes plásticas a aprender na prática como sobreviver no mercado de arte e ser bem sucedido. O grupo de WhatsApp Agenda Cultural transforma pessoas porque a arte salva.

Artsoul: Poderia nos dizer quais são os papéis dos colecionadores no circuito artístico nacional? 

BR: Fomentar e incentivar outras pessoas a investir em arte.

Artsoul: Como profissional experiente, poderia dar dicas para quem quer começar a colecionar? 

BR: Conheça a vida e obra dos artistas locais da sua cidade e invista neles, não só na compra das obras, mas na formação deste profissional.

Artsoul: Parte do seu trabalho acontece no ambiente virtual. Como tem percebido a atuação do mercado de arte com a experiência digital? Seja no aspecto de troca, consumo, entre outros. 

A Agenda Cultural existe para aproximar pessoas, estou trabalhando para estarmos presencialmente, pois a arte existe para ver, mas também para sentir. Espero estar juntos com vocês brevemente. A arte tem que ser sentida, pois lá está a alma do artista que conecta as pessoas com suas emoções e sentimentos mais profundos.

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Esta entrevista foi concedida por Bettina Ravioli à Artsoul em outubro de 2021. Todas as imagens foram cedidas pela entrevistada. 

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