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Brasil na Bienal de Veneza aposta em confronto histórico

Publicado por Artsoul em 18/05/2026
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Principais artistas do Pavilhão do Brasil

Da esquerda para a direita: Rosana Paulino, Diane Lima e Adriana Varejão. Foto: Igor Furtado / Fundação Bienal de São Paulo

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Pavilhão do Brasil reúne Rosana Paulino e Adriana Varejão; mostra principal inclui obras de Ayrson Heráclito, Eustáquio Neves e Dan Lie

Desde sua inauguração, em 1895, a Bienal de Veneza se consolidou como uma das principais exposições de arte do mundo. O evento funciona como uma espécie de termômetro do que é produzido globalmente, evidenciando discussões, tendências e pesquisas artísticas. Em 2026, ela chega à sua 61ª edição sob o título “In Minor Keys” (“Em tons menores”), curada pela camaronesa-suíça Koyo Kouoh, que faleceu em maio de 2025. Seu projeto foi continuado por uma equipe de profissionais selecionada previamente.

A mostra internacional reúne cerca de 110 participantes, dentre os quais estão coletivos e organizações, para refletir sobre os encontros que temos ao longo da vida, o que Kouoh chamava de “geografia relacional”. Já nos pavilhões nacionais, cada país participante define, de forma autônoma, os artistas, o projeto e a curadoria de sua representação.

Pavilhão do Brasil na Bienal de Veneza

A participação do Brasil na Bienal de Veneza em 2026 traz a mostra “Comigo Ninguém Pode”, com curadoria de Diane Lima e expografia assinada por Daniela Thomas. O título faz alusão ao nome popular da Dieffenbachia, planta cuja seiva paralisa as cordas vocais, conhecida por ser, ao mesmo tempo, símbolo de proteção e toxicidade. Presente em muitas casas, janelas e terreiros, a espécie vegetal protege os ambientes e carrega o risco de seu veneno. Essa ambiguidade é trabalhada por meio da produção de Rosana Paulino e Adriana Varejão, artistas que partem de trajetórias distintas, mas coincidem na revisão crítica da história oficial.

Rosana Paulino, Diane Lima e Adriana Varejão, equipe do Brasil na Bienal de Veneza 2026
Da esquerda para a direita: Rosana Paulino, Diane Lima e Adriana Varejão. Foto: Igor Furtado / Fundação Bienal de São Paulo

Rosana Paulino construiu sua pesquisa a partir de discussões sobre o corpo e a memória, investigando como a mulher negra foi representada ao longo dos anos. Em seus trabalhos, imagens de arquivos coloniais e científicos são costuradas, fragmentadas e reorganizadas. Adriana Varejão, por sua vez, se utiliza da materialidade dos azulejos portugueses para refletir sobre a violência e a brutalidade da colonização. Em suas obras, as peças de azulejaria são “rasgadas”, revelando camadas internas que remetem à carne. São estruturas em que a beleza e o horror não se separam.

Firmadas como duas das principais artistas plásticas do país, a projeção internacional de Rosana Paulino e Adriana Varejão também se reflete na presença de suas obras em acervos de referência. Paulino integra coleções como as do MoMA, da Tate Modern e do Centre Pompidou. Varejão, por sua vez, tem obras em instituições como Tate Modern, Metropolitan Museum of Art, Guggenheim, Museo Reina Sofía e MASP. Em Veneza, seus trabalhos já consagrados serão exibidos junto a outros inéditos.

No imaginário popular, a planta comigo-ninguém-pode afasta energias negativas. Cientificamente, suas toxinas funcionam como mecanismo de defesa contra predadores e pragas. Na exposição, inaugurada em 9 de maio de 2026, essa folhagem é usada figurativamente para explorar como os traumas coloniais podem ser processados por meio da fé e de vivências pessoais.

Em uma edição marcada por simbolismos, o pavilhão brasileiro será composto inteiramente por figuras femininas, com Diane Lima sendo a primeira mulher negra a assumir a curadoria do espaço em Veneza — escolha que atravessa o próprio projeto conceitual. A mostra é definida por Lima como um “estado de espírito”, ou seja, o intuito não é apenas representar o Brasil, mas afirmar uma posição diante de seu atual momento político e cultural.

Pavilhão do Brasil na Bienal de Veneza, que sedia a mostra "Comigo Ninguém Pode" em 2026
Fachada do Pavilhão Brasil durante a 18ª Mostra Internacional de Arquitetura de Veneza. Foto: Fundação Bienal de São Paulo.

Para isso, o espaço expográfico passou por um processo de recuperação arquitetônica. Projetado em 1964 por Giancarlo Palanti, Henrique Mindlin e Walmyr Lima Amaral, o edifício modernista recebeu desde reparos estruturais até a restituição de elementos originais da planta. O processo de recuperação do prédio foi conduzido pela Fundação Bienal de São Paulo em parceria com o Ministério da Cultura e o Ministério das Relações Exteriores.

Agora, o pavilhão abriga novas laterais de vidro, que possibilitam a passagem entre o espaço fechado e o jardim. Essa conexão entre as áreas internas e externas permitiu a instalação de duas grandes esculturas inéditas de Paulino e Varejão, feitas, respectivamente, em bronze e cerâmica. Assim, a ocupação se estende para além das salas expositivas e incorpora o entorno.

Na fachada, Varejão expõe uma estrutura escura atravessada por recortes brancos em formato de flores e um portal revestido de azulejos azuis e brancos em espiral. Mais uma vez, o elemento português aparece como ponto de partida para discutir as marcas da colonização portuguesa no Brasil. Nos corredores de entrada, placas em diferentes tonalidades alternam entre azuis mais claros e vermelhos intensos, enquanto figuras barrocas parecem pressionar e distorcer a superfície.

No interior do pavilhão, a instalação de Rosana Paulino ocupa o espaço com estruturas metálicas enferrujadas distribuídas sobre areia e cascalho, além de retratos suspensos de mulheres negras impressos em tecido translúcido. Esculturas em cerâmica e porcelana dividem o ambiente com formas orgânicas que crescem pelo chão, ampliando a presença de temas ligados à memória, ao corpo e à ancestralidade.

Pavilhão brasileiro – Bienal de Veneza, Adriana Varejão e Rosana Paulino. Foto: Fundação Bienal de São Paulo.
Pavilhão brasileiro – Bienal de Veneza, Adriana Varejão e Rosana Paulino. Foto: Fundação Bienal de São Paulo.

Artistas brasileiros na mostra principal

A presença do Brasil na Bienal de Veneza se estende à mostra principal, onde o país é representado por três artistas: Ayrson Heráclito, Eustáquio Neves e Dan Lie. Heráclito, que já integrou a exposição internacional da Bienal em 2017, desenvolve instalações em diálogo com referências culturais afro-atlânticas e práticas ligadas à memória, uma investigação sobre identidade que também aparece no trabalho de Eustáquio Neves. Formado inicialmente como químico, o artista constrói imagens por meio de intervenções e experimentações com negativos, expandindo as possibilidades das imagens analógicas.

Obra da série "O encomendador de almas", de Eustáquio Neves, artista que representa o Brasil na Bienal de Veneza 2026
Obra da série “O encomendador de almas”, de Eustáquio Neves.
Dan Lie, artista do Brasil na Bienal de Veneza 2026, exposição na Pinacoteca de São Paulo
Exposição “Dan Lie: deixar ir” na Pinacoteca de São Paulo, 2024. (Levi Fanan/divulgação)

Dan Lie, por outro lado, apresenta uma pesquisa voltada às transformações orgânicas, acompanhando processos naturais que envolvem crescimento, decomposição e renovação de diferentes materiais.

Ayrson Heráclito – Vodun Agbê I, 2010 | Fotografia com pigmentos minerais (Ayrson Heráclito/divulgação)
Carla Gil é pesquisadora independente e graduada em Arte: História, Crítica e Curadoria pela PUC-SP

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