Arte e gastronomia caminham juntas em novo projeto de Caique Tizzi no OLHÃO

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O espaço independente OLHÃO inaugura hoje (13) o projeto de gastronomia itinerante do artista Caique Tizzi. Limbo é um restaurante pop-up instalado no espaço expositivo do OLHÃO na Barra Funda.

Restaurante pop-up é um formato recente de restaurantes temporários baseados em locais e propostas específicas, geralmente como piloto para um chef que quer testar um novo menu ou fazer uma “prova de conceito” do local que pretende inaugurar.

Com o artista Caique Tizzi, a proposta toma proporções semelhantes mas com influências diferentes. A instalação do LIMBO é iniciativa recente, a primeira edição aconteceu em 2020 em Berlim, e neste mês, foi a vez de São Paulo receber o projeto.

A intenção é caminhar na contramão da tendência de afastamento imposta pela pandemia. Nessa maré de incerteza, com tudo suspenso no ar, sentimos que estamos num limbo, comenta o artista ao telefone. O conceito de proximidade é, então, o que move o artista nessa proposta. Tendo a comida como principal mídia em seus trabalhos, vê nesse elemento a vasta possibilidade de conexão e aproximação, seja entre as pessoas ou com seu entorno.

É pensando nisso que optaram por trabalhar com elementos sazonais e de origem local, o que demonstra a vontade de conhecer e se apropriar do que o cerca: o espaço, os produtos e os ingredientes.

A relação com a comida no trabalho de Caique Tizzi começou muito cedo, quando fundou o Agora, espaço experimental colaborativo em Berlim. A partir daí passou a organizar alguns eventos, percebendo como o lugar de conexão se concretizava ao redor da experiência culinária. O campo da gastronomia, sempre revendo seus meios e evoluindo para o diálogo com a ciência molecular e a estética na apresentação dos ingredientes, demonstra a multidisciplinaridade da prática.

Foto: Caique Tizzi

Foi percebendo essas conexões, que o artista adotou a comida como sua principal mídia.

“A comida e a arte são políticas, onde investimos e o que apoiamos, são formas de se posicionar no mundo e a comida é esse denominador comum, uma forma de unir os dois como principal ponto de intersecção”.

Além disso, o alimento é simbólico, todas as relações humanas estão refletidas nesses elementos. Como comemos, o que comemos, a origem e trajeto de todos esses ingredientes são fatores carregados de história.

Foto: Caique Tizzi

Tentar definir fronteiras entre gastronomia e arte visual é como

“colocar o pensamento numa gaveta e fechar, sem a possibilidade de expansão das ideias. A comida pode contar histórias, é uma forma de se nutrir de algo, literalmente.”

Limbo acontecerá em eventos pontuais, com limitação de lugares para os visitantes. Para garantir sua experiência, reservas devem ser feitas com antecedência e sempre de acordo com a capacidade de pessoas permitida por autoridades locais.

Serviço

Limbo – restaurante pop-up de Caique Tizzi
Visitas apenas através de reserva pelo whatsapp
Espaço expositivo do Olhão – R. Barra Funda, 288 – Barra Funda, São Paulo
18 lugares por evento – Mesas de 2 a 6 lugares (max.) de acordo com as regras sanitárias estabelecidas pelas autoridades locais
Preço: 220 reais menu degustação em 6 etapas

Victoria Louise é redatora da ArtSoul formada pela PUC-SP em Arte: História, Crítica e Curadoria e Gestão Cultural

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