
Em um tempo de telas que prolongam o trabalho até depois do jantar e de notícias que atravessam a rotina sem pausa, a casa passou a ser também o lugar onde as pessoas buscam desacelerar, encontrar pertencimento e recuperar equilíbrio.
É desse ponto que parte a CASACOR São Paulo 2026. Com o tema Mente e Coração, a mostra propõe olhar para os ambientes como espaços capazes de reorganizar a vida cotidiana. Realizada no Parque da Água Branca, a edição reúne mais de 70 ambientes e reforça o posicionamento da CASACOR como uma das principais plataformas de arquitetura, design e paisagismo das Américas, capazes de captar e traduzir transformações culturais que redefinem a forma de morar.
Ao traduzir essas transformações em projetos, a mostra também dialoga com um debate que já atravessa a arte e o design: o retorno ao fazer manual, aos materiais que revelam sua própria textura e aos objetos capazes de guardar memórias. Nos ambientes da edição é perceptível a valorização da presença humana, dos vestígios de uso e a história de quem habita. Veja a seguir as principais tendências que a edição aponta.

Se a casa volta a ser pensada como lugar de presença e cuidado, o olhar para o modo como ela é construída passa a fazer parte do mesmo debate. Na edição de 2026, a sustentabilidade aparece como parte da própria experiência de morar.
Nesse sentido, a parceria com a Sustentech e a busca pela certificação GBC Life ampliam esse entendimento ao considerar qualidade do ar, conforto acústico, iluminação, biofilia e gestão de resíduos. De acordo com o anuário da mostra, a CASACOR atingiu 99,8% de volume desviado de aterros sanitários e mantém ações de compensação de carbono e análise do ciclo de vida dos materiais especificados nos ambientes.
A Biobilheteria, assinada por Viviane Teles, sintetiza essa abordagem logo na entrada do percurso. Inspirada na forma da physalis, a estrutura em bambu laminado coloca em diálogo pesquisa construtiva, matéria natural e desenho orgânico, enquanto a luminária de bambu e micélio reforça a aproximação entre tecnologia e natureza.

A mesma lógica aparece na Casa Ecomorada, da Volar Interiores, que utiliza sistema modular e revestimentos produzidos a partir de pastilhas de porcelanas descartadas.

A madeira ocupa lugar de destaque na CASACOR São Paulo 2026. Presente em painéis, marcenarias, pisos, móveis e estruturas, ela aparece em propostas distintas e aponta para a direção da valorização da matéria como parte ativa do projeto. Em muitos ambientes, o material ultrapassa a função construtiva e ganha protagonismo. Seus veios, texturas e imperfeições ajudam a construir atmosferas mais acolhedoras e revelam o interesse por materiais associados a história, técnica e identidade.
Essa leitura aparece de forma direta na Casa da Marcenaria Brasileira, de João Panaggio. No ambiente, a madeira não surge apenas como revestimento ou mobiliário, mas como ponto de partida para uma reflexão sobre o ofício. O espaço reúne peças de diferentes gerações do design brasileiro, com curadoria de Lissa Carmona, e incorpora à arquitetura elementos próprios da produção em marcenaria.

A Casa Simonetto, de Gabriel Fernandes, amplia essa leitura ao homenagear Janete Costa e o saber fazer brasileiro. A estante em pau ferro, com gavetas entalhadas uma a uma pelo artesão Nelinho, aproxima design, arte popular e trabalho manual. No Home Office Entre Veios, de Marina Salles Arquitetura e Interiores, a madeira conduz o projeto do teto aos tacos originais recuperados, passando por biombo, persianas e estante autoral.

Em meio às texturas naturais da mostra, o metal introduz contraste. Presente em luminárias, portas, estruturas, revestimentos e objetos, seu brilho cria pontos de luz e dá precisão aos ambientes, sem interromper a atmosfera sensorial da mostra.
No Espaço Gênese, de Camilo Jr., o inox assume a ideia de contemporaneidade e tecnologia, conduzindo a leitura do ambiente por uma materialidade mais precisa. Na Casa Jacob, de Felipe Carolo, a porta em chapas de alumínio dobrado marca o acesso ao loft e apresenta o metal como elemento inicial do projeto.

Essa leitura se amplia no Arquivo Vivo, de Felipe Saurin, em que o bar de latão revestido de pergaminho se torna o ponto focal do ambiente e evidencia o diálogo entre materiais de naturezas distintas. No Qalb Boutique Café, de Teresa Simões Arquitetura, objetos em latão aparecem integrados à composição e reforçam a iluminação do espaço.


Confira no site da Artsoul uma seleção de peças inspiradas nessa tendência e encontre novas possibilidades para compor seus ambientes.https://artsoul.com.br/colecao/2024/casacor-26-metal
Em alguns ambientes da mostra, o maximalismo aparece como uma forma de fazer a casa pulsar por meio do imaginário e de experiências que despertam diversão e memória. A combinação de cores vibrantes e elementos lúdicos bem-humorados entra como linguagem ao provocar surpresas, deslocar o olhar e transformar o espaço em um território mais aberto à fantasia.
Na Casa Brastemp, de Marcelo Salum, essa leitura ganha uma atmosfera pop, pensada para uma cozinheira profissional. A paleta vibrante destaca eletrodomésticos e objetos, criando um cenário marcado pela cor, pelo humor e pela surpresa. Espalhados pelo ambiente, pudins e bolos em vidro soprado colorido levam o repertório doméstico para o campo do encantamento.


No Living Origens, do Atelier Navarro Arquitetura, a curadoria de objetos chama a atenção para peças que despertam curiosidade, como a escultura de macaco segurando uma bandeja de bananas. A mesma lógica aparece na Torre Paulo, de Victor Niskier + Arqnisk, em que a mesa lateral remete ao jogo da velha e leva o repertório da brincadeira para o mobiliário.


Em Fantasia à Mesa, de Rodra Cunha, a referência ao filme Maria Antonieta, de Sofia Coppola, atualiza a estética do rococó por meio de tons pastel, sobreposições, iluminação cênica e esculturas de ursinhos de gummy. Nos dois projetos, o objeto lúdico ativa lembranças e transforma a experiência do ambiente em narrativa.

Entre memórias, tradições e identidades culturais, na CASACOR São Paulo 2026, o fazer manual aparece como linguagem de pertencimento. No Pira Sesá, Olho de Peixe, Hugo Ribas cria um pátio de pausa atravessado pela presença indígena, em que descanso, natureza e saber ancestral organizam a experiência do espaço.

Na mesma proposta, o Lounge Mi Corazón, Michele Wharton parte da memória afetiva latino-americana para reunir molas panamenhas, cerâmicas artesanais, tapetes, porcelanas e objetos que carregam uma herança cultural.

Essa presença do gesto também aparece em outras camadas da mostra. Na entrada do Qalb Boutique Café, a grande tapeçaria em técnica de tufting da artista Lorena Bruno evidencia o retorno das superfícies têxteis, do relevo e da textura como elementos centrais da experiência.

CASACOR São Paulo 2026 | 2 de junho a 9 de agosto de 2026
appcasacor.com.br
Localização
Parque da Água Branca | Rua Dona Ana Pimentel, 37, Água Branca, São Paulo, SP
Horários
Terça a domingo e feriados, das 11h às 22h
Entrada no parque permitida até 20h
Bilheteria presencial e acesso à mostra até 20h15
Ingressos
De 2 de junho a 27 de julho
R$ 141 inteira
R$ 70,50 meia entrada
De 28 de julho a 9 de agosto
R$ 161 inteira
R$ 80,50 meia entrada
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