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SP-Arte 2026: Novidades da 22ª edição

Publicado por Artsoul em 31/03/2026
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Bancos rio

Gerson de Oliveira e Luciana Martins, bancos Rio, seixo de rio e aço carbono, estande da Ovo © Ruy Teixeira

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A SP-Arte é a principal feira de arte e design do Brasil, realizada no Pavilhão da Bienal, no Parque Ibirapuera. Em sua 22ª edição — que acontece entre 8 e 12 de abril — reúne 180 expositores, entre galerias de arte, estúdios de design, museus, espaços independentes e editoras, vindos do Brasil e do exterior. A proposta equilibra continuidade e renovação ao trazer nomes consagrados que dividem o espaço com estreantes, com seleções pensadas especialmente para o evento. 

A feira aposta também em um programa de conversas distribuído entre dois espaços. Na Arena Iguatemi, Marcello Dantas medeia o Iguatemi Talks, série de encontros entre artistas da feira, curadores e críticos convidados. O programa parte da ideia de polinização cruzada entre diferentes campos do conhecimento. No Palco SP-Arte, Tamara Perlman reúne artistas, galeristas e especialistas para debater arte e design. Para aprofundar a visita, audioguias temáticos, com curadoria de Adélia Borges, Ana Carolina Ralston e Fernanda Pitta, estão disponíveis no Spotify.

Bancos rio divulgação para SP-Arte.
Gerson de Oliveira e Luciana Martins, bancos Rio, seixo de rio e aço carbono, estande da Ovo © Ruy Teixeira. Divulgação SP-Arte

Se o programa de conversas amplia o diálogo intelectual da SP-Arte, é o design que redefine seu perfil. Nos últimos anos, ao ganhar protagonismo, o setor ampliou os horizontes da feira. Em 2026, o segmento reúne 64 estúdios e 19 estreantes, e a evidência mais clara desse crescimento está na criação do Design NOW, um espaço inteiramente dedicado à produção autoral brasileira e que ocupa parte do 3º andar do Pavilhão da Bienal com 10 estúdios, 9 deles estreantes. Nesse sentido, a edição deste ano deixa claro que arte e design não são linguagens separadas.

SP-Arte: entre o arquivo e o presente

A programação de arte ocupa o primeiro e o segundo andares do Pavilhão da Bienal, com galerias que percorrem do modernismo brasileiro à produção contemporânea mais recente. “O segmento de arte segue reunindo importantes galerias com seleções especialmente pensadas para o evento”, afirma Fernanda Feitosa, fundadora e diretora-executiva da feira, ao apresentar a edição de 2026.

Entre as galerias mais consolidadas da feira, a Pinakotheke reúne obras que marcaram a produção nacional, com destaque para o tríptico “A Queda do Anjo”, de Siron Franco, obra que recentemente percorreu diversas instituições pelo país. A Almeida & Dale, com mais de 25 anos de atuação e recentemente fundida com a Millan, propõe um percurso de cem anos, do modernismo à atualidade, com Tarsila do Amaral, Di Cavalcanti e Beatriz Milhazes no mesmo espaço. A Mendes Wood DM destaca o trabalho de Lygia Pape ao lado de Rosana Paulino e Sonia Gomes, artistas centrais da cena contemporânea, em três propostas que olham para o passado sem nostalgia.

Obra modernista de Tarsila do Amaral.
Tarsila do Amaral, A feira II, 1925, óleo sobre tela, estande da Almeida & Dale © Sergio Guerini. Divulgação SP-Arte.

Há também um movimento de ampliação de escopo geográfico e temático: a Paulo Darzé Galeria apresenta a pesquisa de Ayrson Heráclito sobre cultura afro-brasileira e diáspora africana, sendo o artista um dos três brasileiros na exposição principal “In Minor Keys”, da 61ª Bienal de Veneza, a se realizar entre entre maio e novembro de 2026. Na mesma direção, a Galeria Marco Zero, sediada no Recife, coloca em foco artistas que transformam matéria orgânica em matéria-prima, entre eles Marlene Almeida e Montez Magno, artista pernambucano falecido em 2023, cuja obra será homenageada com o lançamento de um livro monográfico no estande.

Entre as demais propostas, Luisa Strina apresenta obras de Anna Maria Maiolino e Ilê Sartuzi, produções conceituais em diálogo com questões sociais e históricas. Já a proposta da Mitre, com Aline Motta e Gisele Camargo, vai na contramão da lógica acelerada das feiras e pede do visitante permanência e observação prolongada. Aniversariante da edição, a Nara Roesler comemora 50 anos de trajetória.

A edição de 2026 também aponta para uma renovação do perfil geográfico da feira. A Galería Sur, fundada em 1985 em Punta del Este, está na SP-Arte desde a primeira edição e é especializada nas vanguardas históricas latino-americanas. Entre os retornos, destaca-se a Ruth Benzacar, uma das galerias mais emblemáticas da Argentina, fundada em 1965 e hoje na terceira geração familiar. Retorna também a Foco, de Portugal.

Design: dez anos, um novo setor e uma exposição sobre árvores

O design comemora uma década de presença na SP-Arte. Em dez anos, saltou de 23 para 64 estúdios participantes e passou a incluir, nos últimos dois anos, exposições dedicadas a aprofundar o repertório do público sobre o design brasileiro.    

O exemplo mais concreto desse crescimento é o Design NOW, espaço inédito dedicado ao mobiliário e aos seus criadores, que ocupa parte do 3º andar do Pavilhão da Bienal. Com dez estúdios, nove deles estreantes, o NOW é o retrato da cena independente do design brasileiro.  A curadoria, assinada por Livia Debbane, ao lado de Patricia Dranoff, partiu de um recorte preciso: designers que, além de projetar, conduzem seus próprios negócios sem uma indústria ou grande estrutura comercial por trás. “um modelo bastante comum no Brasil e que permitiu parte do boom de design autoral que vivemos hoje”, nas palavras de Debbane. Os expositores ocupam minissalas desenhadas pelo escritório de arquitetura Superlimão, que formam um circuito próprio dentro do 3º andar.

Jacqueline Terpins, Epicentro, estande da designer © Andrés Otero. Divulgação SP-Arte.

Entre os participantes do Design NOW, LinBrasil, Bref, Bossa Furniture e Ulysses de Santi evidenciam a diversidade e a força do design contemporâneo brasileiro. Já entre os nomes tradicionais, o estúdio de Jacqueline Terpins, presente desde a inauguração do segmento na feira, comemora dez anos de participação.

À frente do segmento, Debbane assina também, pelo terceiro ano consecutivo, uma exposição no setor. A deste ano intitulada “Existe uma árvore”, é a primeira a ter a madeira como protagonista. A mostra conta a história das árvores do território nacional por meio da marcenaria autoral moderna e contemporânea. Cada móvel funciona como veículo para relatar um acontecimento, explicar um conceito ou destrinchar um tema relativo às florestas e suas espécies. Com patrocínio da Arauco, a exposição é o exemplo mais concreto do que o design pode ser quando opera como linguagem cultural.

No térreo, outros estúdios completam o panorama da edição. A ETEL presta homenagem à trajetória de Percival Lafer, arquiteto que desde 1961 tem transformado o mercado de mobiliário brasileiro e que completa 90 anos durante a feira. A Galeria Teo coloca peças do mobiliário moderno em diálogo com cerâmicas de Célia Cymbalista. Já Lucas Recchia apresenta um conjunto inédito de luminárias que amplia sua pesquisa com materiais, enquanto Domingos Tótora e Gabriel De La Cruz se unem na série “Sobrepor”, construída pela sobreposição de materiais distintos. “Chegamos à 22ª edição com a consagração do design dentro e fora da feira, com a presença de novos estúdios e daqueles que estão conosco desde o começo”, resume Fernanda Feitosa.

Cerâmica contemporânea na SP-Arte
Célia Cymbalista, Cerâmica contemporânea, estande da Teo © André Klotz

Serviço

SP-Arte | 8 a 12 de abril de 2026

https://www.sp-arte.com/

Localização

Pavilhão da Bienal | Av. Pedro Álvares Cabral, s/n, portão 3 – Parque Ibirapuera, São Paulo – SP

Horários

8 abril: convidados

9–10 abril: das 12h às 20h

11 abril: das 11h às 20h

12 abril: das 12h às 19h

Ingressos

R$ 120 inteira

R$ 60 meia-entrada

bilheteria.sp-arte.com

Rafaella Caldas é redatora e jornalista em formação pela ESPM-SP.

Gostou desta matéria? Leia também:
Design em 2026: Tendências que Transformam Espaços

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