Solo de Cabral pela Galeria Tina Zappoli

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Cabral 9, 2020 – Monotipia. 124 x 86 cm.

A Galeria Tina Zappoli apresenta uma sala individual com trabalhos do artista Cabral na ArtSoul Gravuras 2020.

Em conversa com a sócio fundadora da galeria porto-alegrense, nos aproximamos da produção de Cabral e conhecemos mais sobre a relação da galeria com a gravura.

Tina Zappoli é natural de Flores da Cunha, RS. Nasceu em 1955, passando parte da vida em São Leopoldo até se mudar para Porto Alegre, cidade sede de sua galeria que foi fundada em 1981. Sua atuação no mercado de arte é longa, tendo representado obras de importantes artistas, como Iberê Camargo.

A gravura na galeria

Fundado em 1981, o espaço da galerista Tina Zappoli e do fotógrafo Marinho Neto, já estruturava seu acervo para reunir obras de modernistas, passando aos poucos a dar ênfase em produções contemporâneas. Zappoli nos conta sobre sua ligação com a gravura, linguagem importante para sua região:

“A galeria sempre teve na gravura, ao longo de seus 39 anos de existência, uma de suas linguagens preferidas. O Rio Grande do Sul tem uma tradição de gravura muito forte. O Clube de Gravura foi criado aqui nos anos 50. Dentre os principais membros estavam Glauco Rodrigues e Glênio Bianchetti, ambos de Bagé, região pampeana”.  

Cabral 59, 2020 – Litografia. 118 x 78 cm – Ed. 6/6

Nesta relação de longa data com as linguagens da gravura, já foram apresentadas exposições de nomes como: Hsiao Chin, Mário Benedetti, Iberê Camargo, Arthur Piza, Tomie Ohtake, Marcos Varela. Nas palavras de Zappoli descobrimos mais da longa trajetória das gravuras de Cabral com sua galeria:

“Trabalhamos com o Cabral desde 1999. E desde o começo, sempre com muita gravura. Em 2000, ele fez uma temporada de gravura na Fundação Iberê Camargo com o impressor de Iberê, Eduardo Haesbaert, e uma seleção destas obras foi exposta na galeria, na coletiva Entre Séculos, no mesmo ano.”

Cabral em seu ateliê. Foto: divulgação Galeria Tina Zappoli, 2020.

O artista

Antônio Hélio Cabral nasceu em 1948 na cidade de Marília, estado de São Paulo, tendo se mudado para a capital aos 10 anos de idade. O artista estudou diversas linguagens e atualmente desenvolve trabalhos em gravuras, pinturas, desenhos, esculturas, entre outras. Cabral atua também como professor, tendo ministrado nos ateliês do Museu Lasar Segall e da Pinacoteca do Estado de São Paulo. 

Cabral 66, 2020. – Litografia. 118 x 78 cm – Ed. 6/6

A gestualidade é um traço marcante na obra do artista que transita constantemente entre mídias. Cabral possui uma intensa busca por sentidos ao longo de seus processos e, segundo o artista em depoimento cedido a Ismael Oliveira em seu programa, o confronto com o vazio marca um momento decisivo. Seu ateliê revela os desdobramentos do que se forma a partir de seus processos e como seus pensamentos se configuram em obras tão expressivas, como afirma Zappoli:

“Para nós, uma visita ao ateliê dele em São Paulo é sempre uma surpresa. Porquê, além da magnífica pintura e escultura que ele produz, a gravura não fica atrás. Assim como na obra de Iberê, a gravura não é um subproduto, e sim uma linguagem paralela às outras por ele elegidas. E o tema central é o mesmo em todas as mídias.”

A sala especial de Cabral na ArtSoul Gravuras 2020 conta com 24 trabalhos do artista, entre litografias e monotipias. As obras apresentadas no texto fazem parte da feira on-line.

Diogo Barros é curador, arte educador e crítico, formado em História da Arte, Crítica e Curadoria pela PUC SP.

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