LANÇAMENTO DE GRAVURAS INÉDITAS DE ALMANDRADE

3 minutos para ler

Neste mês, a Galeria Gravuras no Brasil lança duas novas obras de Almandrade, editadas por Lincoln Reis. A edição é de 34 cópias feitas em papel especial.

Lincoln Reis se debruça desde 2012 sobre as gravuras da década de 1970 do artista como uma forma de retomar o acesso a estes trabalhos que na época foram gravados e vendidos, estando hoje, em coleções particulares. Desta vez, a Galeria apresenta uma espécie de releitura nas novas edições de lançamento por trazer elementos novos que potencializam a interpretação.

Ambas as gravuras foram feitas originalmente em 1978 em nanquim e papel A4. A nova edição foi feita em papel espelhado que permite ao público interagir e criar novos sentidos.

Tudo é permitido menos o riso/Nada é permitido só o riso – gravura “Sem Título“, de Almandrade de 1978, editada pela Galeria Gravuras no Brasil, 2021 – Foto: divulgação Artsoul

Em “tudo é permitido menos o riso” e “nada é permitido só o riso”, há uma referência à sociedade brasileira da época no que toca à censura e a subversão do riso. Na edição atual, o papel induz o público a se observar no reflexo enquanto lê e pensa sobre seu entorno.

Em “fotografias de paisagens brasileiras”, também de 1978, Almandrade dispõe quatro quadros em branco que são como lugares nos quais o observador tem a liberdade de projetar sua imaginação. A nova edição, eleva essa intenção ao usar o elemento brilhante e reflexivo do papel como um refletor da realidade de quem observa e o ambiente que a cerca.

“Fotografias de paisagens brasileiras”, gravura de Almandrade de 1978, editada pela Galeria Gravuras no Brasil, 2021 – Foto: divulgação Artsoul

Em conversa pelo telefone, Lincoln nos conta que sente falta desse tipo de “sacada” muito presente no trabalho de Almandrade no qual o público pode interagir e ser também um co-criador.

Essa espécie de “atualização” do trabalho para os tempos atuais também aconteceu na série que a Galeria produziu da obra “Banco Almandrade”, uma gravura composta pela imagem de um cheque em branco com a identificação de um banco próprio do artista.

As novas edições foram feitas com um cartão bancário, já que o cheque se tornou um recurso obsoleto. Trazendo o cartão, se percebe a adaptação a uma linguagem mais moderna que potencializa a identificação do público com a obra. Esse diálogo do artista com a galeria possibilita que as obras sempre se desdobrem e seus sentidos nunca se esgotem.

Victoria Louise é redatora da ArtSoul formada pela PUC-SP em Arte: História, Crítica e Curadoria e Gestão Cultural

Gostou deste texto? Leia também:

Livro de Artista

Siga-nos e compartilhe nosso blog:
Posts relacionados

Deixe um comentário

Social media & sharing icons powered by UltimatelySocial