GRANDES FORMATOS: VISÕES DA ARQUITETURA

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Cintia Aguiar, Leonardo Sales e Zize Zink: convidamos três arquitetos de diferentes estilos e gerações para nos contar sobre o trabalho de iniciar uma coleção e organizá-la em um espaço planejado.

Na foto: Cintia Aguiar, Leonardo Sales e Zize Zink (esquerda para direita)

Cintia Aguiar, Leonardo Sales e Zize Zink apresentam seus pontos de vista a respeito da contribuição da arquitetura para colecionadores ou interessados em exibir obras em sua casa ou escritório. “Acredito que a obra de arte seja o desfecho final de um ambiente bem projetado. Faz toda a diferença, trazendo uma personalidade única e exclusiva para o espaço“, afirma Aguiar.

Visões da arquitetura – Imagem cedida por Cintia Aguiar. Obra de Sergio Lucena.  

Perguntamos sobre as primeiras etapas no trabalho de planejamento do ambiente que irá envolver ao menos uma obra de arte. Traçar com precisão o perfil do cliente e conhecer bem suas necessidades foi um consenso:  

“É preciso entender se o cliente já possui uma coleção e quer valorizá-la dentro do ambiente, se pretende adquirir e exibir alguma peça específica, ou até mesmo iniciar sua própria coleção”, explica Sales.  

Já Aguiar conta como seu trabalho pode despertar o cliente para uma nova experiência com a arte: “Outros não dão valor à arte ou ainda não tiveram contato com esse mundo, então precisarão ser encantados ao longo do nosso processo de trabalho”.  

Visões da arquitetura – Simulação de um ambiente com a obra Totem 4, de Grazi Azevedo. Por Leonardo Sales. 

A escolha da obra de arte é um momento crucial e pode definir toda a relação espacial dos outros elementos, como enfatiza Sales: “A escolha deve partir de toda a análise do perfil do indivíduo, criando um diálogo através de formas, cores e sensações”.  

Essa escolha parte, não somente do perfil pessoal do cliente, mas também de suas intenções, como lembra Zink: “A obra precisa preencher vários requisitos na hora da escolha, tem pessoas que compram como investimento, tem gente que quer vaidade e tem gente que quer a emoção, e também tem a pessoa que quer a decoração”.  

GRANDES FORMATOS 

A partir do momento em que se trabalha com grandes formatos, colecionadores e arquitetos precisam pensar nas melhores formas de inserção desses trabalhos.  

É fundamental buscar assessoria especializada. Obras em grande escala em geral precisam ter um planejamento prévio no projeto”, lembra Zink. Nesse sentido, Sales exemplifica: 

“Tanto no ambiente residencial como nos demais espaços, trabalhos artísticos de grandes formatos servem como ponto de referência. Uma possibilidade é a redução de outros elementos na decoração, para que uma obra de grandes dimensões tenha seu destaque”.   

Visões da arquitetura – Imagem cedida por Zize Zink. Obra de Abraham Palatnik.  

EQUILÍBRIO E DIÁLOGO 

Uma obra bem inserida em um espaço planejado precisa estar em harmonia com outros elementos do ambiente, como coloca Sales: Os elementos básicos são as cores, formas e mobiliários que podem ser análogos ao todo, afinal existem ambientes que podem ser inspirados em uma obra e diluir suas características em todo design de interiores proposto”.  

Já Aguiar comenta que “a inserção de uma obra de arte é tão única que costumo dizer que não precisa ‘combinar’ com absolutamente nada. Mas é fundamental que esteja inserida num espaço proporcional para ela no projeto“, reforçando a autonomia da obra de arte.  

Visões da arquitetura – Imagem cedida por Cintia Aguiar. Obra de Claudia Melli, Galeria Eduardo Fernandes.  

É interessante lembrar que uma coleção de obras de arte não se limitam a quadros na parede, e suas possibilidades ultrapassam a contemplação: 

“Em áreas externas, os melhores exemplos que temos são as esculturas, grafites e mobiliários urbanos, elementos da arte em escala de cidade. Estes, por sua vez, têm um papel social mais marcante, por tornarem espaços de transição – que podem estar degradados e hostis – em locais acolhedores e de permanência”, pontua Sales.  

Visões da arquitetura – Arte de Robinho Santana em São Paulo. Foto de Leonardo Sales. 

PARA COMEÇAR 

Existem muitos clientes que têm obras lindas, mas mal distribuídas pela casa. Saber instalar as obras de maneira proporcional aos espaços e fazer as misturas de maneira harmônica também é uma “arte”, assume Aguiar.  

Reorganizar sua coleção, projetar um novo espaço para exibi-la, ou mesmo iniciar uma nova coleção, são processos que exigem uma atenção especial, mas não precisam ser um processo difícil. “Buscar ajuda de um profissional da área é sempre um bom caminho no sentido de driblar a sensação de difícil acesso que a compra da arte ainda impõe aos novos interessados”, complementa Aguiar.  

Visões da arquitetura – Imagem cedida por Cintia Aguiar. Obra de Marcia de Moraes.  

Neste assunto, Sales acredita que o ato de colecionar arte não deve ser restrito: 

Há ainda a impressão de que apenas quem dispõe de um grande orçamento e condições financeiras seja capaz de montar uma coleção. Existem diversos artistas com obras de valores tangíveis que agradam aos mais variados gostos e podem ser inseridas em ambientes, desde os mais simples até os mais elaborados”. 

Para finalizar, Zink deixa dicas para quem gostaria de se aproximar mais do universo das artes visuais, e quem sabe iniciar sua coleção:  

“Esse universo é imenso com várias possibilidades de investimento, estilo, tamanhos… Comece a frequentar feiras, galerias e exposições, para primeiro entender o que te emociona. Depois pense em seus objetivos e se jogue!! Esse mundo é fascinante”. 

Visões da arquitetura – Imagem cedida por Zize Zink. Obra de Célia Euvaldo ao fundo.  

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Nesta semana acontece a ARTSOUL GRANDES FORMATOS, feira online focada em obras com uma de suas dimensões a partir de 1 metro.  

Visite: https://artsoul.com.br/grandes-formatos-2021 

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Diogo Barros é curador, arte educador e crítico, formado em História da Arte, Crítica e Curadoria pela PUC SP. 

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PROCESSOS ARTÍSTICOS EM GRANDES FORMATOS

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