Blog que conecta você ao mundo da arte contemporânea.
  • OBRAS DE ARTE
    • Obras
    • Artistas
    • Seleções temáticas
  • PEÇAS DE DESIGN
    • Peças
    • Designers
    • Seleções temáticas
  • REVISTA
  • AGENDA

Bienal de Arquitetura Brasileira: o Brasil e seus modos de morar

Publicado por Artsoul em 30/03/2026
Categorias
  • Design
  • Exposições
Tags
  • arquitetura
  • Arquitetura Brasileira
  • Brasileira
  • design
  • design autoral brasileiro
Masterplam Leonardo Zanatta

Masterplan assinado pelo Estúdio Leonardo Zanatta Arquitetura. Foto: Divulgação/BAB

Avaliar post

A Bienal de Arquitetura Brasileira estreia em 25 de março no Pavilhão das Culturas Brasileiras, no Parque Ibirapuera. A BAB chega com 20 mil metros quadrados de exposição, 28 pavilhões organizados pelos seis biomas do país e Uma pergunta que orienta toda a sua proposta: o que acontece quando a arquitetura passa a ser percebida como linguagem cultural, expressão de território e forma de pertencimento?

Masterplam Leonardo Zanatta
Masterplan assinado pelo Estúdio Leonardo Zanatta Arquitetura. Foto: Divulgação/BAB

Para concretizar essa proposta, a BAB adotou uma lógica curatorial que a diferencia de iniciativas anteriores do setor: todos os projetos foram selecionados por concurso público, com votação por pares, aberto a arquitetos de todas as regiões do Brasil.. Nesse sentido, o júri foi composto por nomes de referência do campo, entre eles Daniel Mangabeira, Greg Bousquet, Marko Brajovic e Rodrigo Ohtake.

A partir desse processo, o Masterplan da edição inaugural, responsável por organizar e dar forma ao espaço que abriga toda a mostra, coube ao Estúdio Leonardo Zanatta Arquitetura, escolhido entre dezenas de propostas enviadas de todo o país. Com essa estrutura definida, cada pavilhão estadual foi concebido para traduzir a relação entre arquitetura, clima, cultura e modos de vida locais.

Os pavilhões da Bienal de Arquitetura Brasileira e quem os assina

A Bienal é dividida entre dois núcleos expositivos: o Pavilhão Brasil, instalado no interior do PACUBRA, com ambientes de aproximadamente 100 metros quadrados, e o Pátio Metrópole, sua extensão ao ar livre. “A Bienal precisa ocupar uma cidade”, disse Raphael Tristão, fundador e presidente da BAB, “e o Ibirapuera é essa cidade.”

Pavilhão Brasil

O Pavilhão Brasil reúne ambientes organizados pelos seis biomas do país, cada um com cinco cômodos construídos em escala real. A Casa Empate Mulheres Seringueiras, pelo Acre, é um dos projetos mais carregados de sentido da mostra. Concebida por Marlúcia Cândida em colaboração com Marcelo Rosenbaum, a instalação evoca os empates da floresta, forma de resistência não-violenta dos seringueiros contra o desmatamento, ligada à história de Chico Mendes. O foco está no protagonismo das mulheres nessa luta. O espaço recria o interior de uma moradia tradicional seringueira, com cuias, luminárias do tipo poronga, redes integradas à estrutura e objetos do cotidiano feminino. Marlúcia Cândida, mestra pela UnB com pesquisa sobre arquitetura vernacular amazônica, responde pela voz técnica e territorial do projeto. Rosenbaum, por sua vez, acumula 14 anos de parceria com povos do Acre.

Interior do Pavilhão Casa Empate Mulheres Seringueiras, pelo Acre. Foto: Tatiana Angotti/Divulgação BAB
Marcelo Rosenbaum e Marlúcia Cândida para a Bienal de Arquitetura Brasileira.
Marlúcia Cândida e Marcelo Rosenbaum, responsáveis pelo projeto. Foto: Tatiana Angotti/Divulgação BAB

Esse protagonismo feminino se repete em outros biomas com a mesma força. No Cerrado mineiro, a Casa Adélia Prado, assinada por Marina Reis Arquitetura, homenageia a maior poetisa viva do Brasil, cuja obra encontra o sagrado no cotidiano doméstico — matéria-prima direta do projeto. Da mesma forma, no Nordeste, o Relicário de Voinha, de Sergipe, do Mangaba Estúdio, propõe uma casa-memória construída a partir das tradições transmitidas pela avó. 

Na Mata Atlântica, o Loft da Escritora, de Gabriel Rosa, o arquiteto negro mais jovem da história da CasaCor Brasil, traduz o habitar urbano paulistano com sensibilidade intelectual e afetiva. Já a Casa Corcovado, assinada pela carioca Paula Martins, transporta para um apartamento em São Paulo a atmosfera leve e informal que define o estilo de vida carioca. Tons de verde e azul evocam a proximidade entre floresta e mar, enquanto a curadoria de arte de Belchior Almeida completa a composição. Concebido como homenagem a dois cariocas radicados fora da cidade natal, o projeto mobiliza a arquitetura como instrumento de memória e pertencimento.

: Banheiro da Casa Corcovado, projeto de Paula Martins para a BAB. Foto: Rafael Renzo/Divulgação BAB
Sala da Casa Corcovado na Bienal de Arquitetura Brasileira.
Sala de estar da Casa Corcovado, projeto de Paula Martins para a BAB. Foto: Rafael Renzo/Divulgação BAB

Nos Pampas, a Querência Amada, do Rio Grande do Sul, pelo Studio Carbono e Matte Arquitetura, aposta em cimento queimado e paleta austera para traduzir o sentimento gaúcho de pertencimento. No Pantanal, por sua vez, a Casa Ñandejara, do Mato Grosso do Sul, assinada pela DNA, Deborah Nazareth Arquitetos, homenageia a herança indígena como fundamento da identidade sul-mato-grossense: “Ñandejara” é a palavra Guarani para “Nosso Senhor”.

Projeto Rio Grande do Sul
Vista do projeto Querência Amada, pelo Rio Grande do Sul, assinado pelo Studio Carbono e Matte Arquitetura. Foto: Divulgação/BAB
Projeto Mato Grosso do Sul
Vista do projeto Casa Ñandejara, pelo Mato Grosso do Sul, assinado pela DNA, Deborah Nazareth Arquitetos. Foto: Divulgação/BAB

Pátio Metrópole

No Pátio Metrópole, a arquitetura brasileira ganha outra dimensão: marcas do setor convidaram arquitetos para assinar seus espaços. Nas palavras de Raphael Tristão, “o protagonismo é sempre do escritório, viabilizado pela parceria com as marcas.” Entre as colaborações confirmadas, o Superlimão assina a Casa Electrolux, uma das mais densas conceitualmente. Com 150 metros quadrados e volumetria inspirada na casa brasileira, o projeto parte de uma pergunta direta: como materializar os valores de design, inovação e tecnologia da marca por meio da arquitetura?

A resposta está em materiais etéreos, neutros e predominantemente sustentáveis, e na lógica de circularidade que estrutura o espaço: a casa foi concebida para montar, desmontar e transitar entre eventos. Ao longo de toda a programação, o espaço recebe workshops com agendas abertas ao público, e visitantes que vivenciarem a experiência completa têm direito a 10% de desconto nos produtos da marca.

Além disso, o escritório assina também a Casa do Futuro, instalação que parte de uma provocação de Ailton Krenak — “o futuro é ancestral” — para reconciliar tecnologia de ponta e saberes milenares. A premissa é biomimética e se traduz em: piso elevado em madeira de reuso que flutua sobre o terreno; pilares impressos em impressora 3D inspirados no caule da folha de bananeira; cobertura em madeira engenheirada que funciona como um “catavento” flexível; e paredes de PET reciclado que regulam temperatura e umidade naturalmente.

Projeto do escritório Superlimão para a Bienal de Arquitetura Brasileira.
Casa do Futuro, projeto do Superlimão para a BAB. Foto: Divulgação/BAB

Com outra abordagem, Ricardo Abreu assina a Casa TCL. Pensada para colocar a televisão como centro dos lares brasileiros, o projeto evoca o aparelho como ponto de reunião familiar ao longo do tempo. Com 160 metros quadrados divididos entre área externa e interna, o espaço propõe um túnel do tempo sobre a evolução do design de produto em diálogo com arquitetura e escultura. No dia 14 de abril, a casa recebe ainda a estreia de uma série produzida pelo próprio arquiteto sobre arte, arquitetura e consumo.

Na parte inferior do PACUBRA, André Henning assina o café da Copa Energia, pensado para ser uma homenagem ao cachorro caramelo, ícone da cultura brasileira. O ambiente de 100 metros quadrados trabalha com tons de caramelo e marrom em integração visual direta com o Parque Ibirapuera, com cardápio desenvolvido pela Go Coffee dedicado inteiramente ao caramelo.

Na entrada do Pavilhão Brasil, ainda dentro do Pátio Metrópole, o restaurante BIOMAS é assinado por Celso Rayol e a Cité Arquitetura, com mobiliário de Del Sanchez e patrocínio da Breton. O fio condutor é, nas palavras do arquiteto, “os rios, o fluxo da vida.” No salão da Amazônia, iluminação que imita a copa das árvores, cestaria indígena e cerâmicas evocativas das datações arqueológicas da floresta compõem o ambiente. Entre os elementos do espaço, uma instalação central remete aos rios voadores — fenômeno em que a evaporação é tão densa que o rio parece flutuar no ar. No salão da Caatinga, por sua vez, tons de vermelho-terra traduzem o que Rayol descreve como visceral: “o sangue que corre nas veias”, o fluxo do Velho Chico, materializado em nuvens de juta e fios vermelhos que descem como chuva.

Salão da Caatinga no restaurante BIOMAS, projeto de Celso Rayol e Cité Arquitetura para a BAB. Foto: @citeinteriores
Salão inspirado na arquitetura brasileira
Salão da Amazônia no restaurante BIOMAS, projeto de Celso Rayol e Cité Arquitetura para a BAB. Foto: Artsoul
Instalação de juta e fios vermelhos no salão da Caatinga, evocando o fluxo do Velho Chico. Foto: @citeinteriores

Dois projetos do Pátio se destacam pela ênfase na leveza construtiva. Rodrigo Ohtake assina o espaço da Zissou apostando na interação direta do visitante com os produtos, enquanto Helena Camargo desenvolve para a Renault uma estrutura de madeira montada por encaixes sem desperdício, pensada para continuar circulando entre eventos após a Bienal.

Por fim, Marcelo Rosenbaum fecha o Pátio Metrópole com a cenografia da Westwing, em que as estantes entram em diálogo direto com as esquadrias do edifício de Niemeyer, numa conversa entre o projeto expositivo e a arquitetura que o abriga.

Arquitetura brasileira para todos

Apenas 9% das reformas no Brasil contam com a participação de um arquiteto, segundo pesquisa Datafolha encomendada pelo CAU/BR em 2022. É nesse cenário que a Bienal estruturou iniciativas para tornar a mostra acessível e compreensível ao público geral. Assim, a programação inclui agenda de conteúdo dedicada a cada bioma, desenvolvida em parceria com o CAU/BR, abordando o papel social do arquiteto junto à sociedade.

Para ampliar esse alcance, a edição inaugural estreia o primeiro tour guiado por inteligência artificial em uma mostra de arquitetura no Brasil, desenvolvido com o Google Gemini. O recurso oferece percursos personalizados com informações em tempo real sobre projetos e arquitetos. A Bienal conta ainda com a parceria do Projeto Morrinhos, que integra jovens de comunidades periféricas à montagem, operação e desmontagem do evento.

Serviço

Bienal de Arquitetura Brasileira — BAB Pavilhão das Culturas Brasileiras (PACUBRA) | Parque Ibirapuera, Portão 03 — Av. Pedro Álvares Cabral, São Paulo 

Horário de visitação: diariamente, das 12h às 21h 

Período expositivo: 25 de março a 30 de abril de 2026 

Ingressos: R$ 100 (inteira) aos finais de semana | R$ 80 (inteira) durante a semana Vendas exclusivamente pelo site: www.bienaldearquiteturabrasileira.com

Luisa Lotto é publicitária formada em Comunicação Social pela ESPM e redatora de conteúdo nas áreas de arte e design, com passagem por produção cultural no programa Café Filosófico.

Gostou desta matéria? Leia também:
Trabalho de Carnaval: Por trás da maior festa brasileira

Compartilhar

Artigos Relacionados

Beatriz Milhazes. Foto: Leandro Tumenas/Secretaria de Cultura do Estado da Bahia (Divulgação)

09/03/2026

Beatriz Milhazes ilumina Salvador com “100 Sóis”


Leia mais
25/02/2026

Como as cores transformam ambientes 


Leia mais

Abetura da exposição Trabalho de Carnaval no Pina Contemporânea para Pinacoteca de São Paulo

02/02/2026

Trabalho de Carnaval: Por trás da maior festa brasileira


Leia mais

Deixe um comentário Cancelar resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Categorias

  • Arte no mundo
  • Artistas
  • Design
  • Dicas
  • Entrevista
  • Exclusivo
  • Exposições
  • Galerias adentro
  • Geral
  • Livros
  • Mercado de Arte
  • Notícias
  • Perfil Artsoul

Inscreva-se na Newsletter

Preencha o formulário abaixo para se inscrever em nossa Newsletter e receber as últimas atualizações.
Ao se cadastrar você aceita nossos Termos de Uso e Politica de Privacidade.

Blog dedicado à publicação de notícias sobre arte contemporânea, assim como informações sobre o mercado, artistas e movimentos artísticos no geral.

CATEGORIAS

  • Arte no mundo
  • Artistas
  • Design
  • Dicas
  • Entrevista
  • Exclusivo
  • Exposições
  • Galerias adentro
  • Livros
  • Mercado de Arte
  • Notícias
  • Perfil Artsoul
  • Geral

ENTRE EM CONTATO

Horário de atendimento:
De Segunda a Sexta, das 10h às 17h

(11) 9 7283-9009

contato@artsoul.com.br

Artsoul 2023 © Todos os direitor Reservados
  • Desenvolvido por: Flaubert Dev