Arte Abstrata em 5 obras!

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Desde a sua ascensão nas produções artísticas no início do século XX com pioneirismo de Wassily Kandinsky, Malevich e Hilma af Klint, a arte abstrata foi adquirindo novas formas em diversas regiões do mundo, de acordo com contextos específicos. Os expressionistas abstratos, por exemplo, pensaram em uma abstração mais gestual e pessoal, já os minimalistas e os concretos racionalizaram as formas geométricas para pensar em uma arte sem elementos representativos da natureza. 

Para mostrar as múltiplas faces da arte abstrata, selecionamos 5 trabalhos expostos na nova seleção Abstratos Artsoul. 

Abstrações orgânicas

A pintura é um dos campos mais ricos e livres para a abstração. Nesta linguagem cabem muitos modos de experimentação das cores e das formas, dos mais racionais e rígidos, aos mais orgânicos e gestuais. Neste último caso se enquadra o trabalho de Olívia Lacerda, que produz pinturas ricas em texturas e volumes. As cores inseridas na paleta são encontradas em todos os cantos da composição, o que dá uma sensação de continuidade da pintura, como se não houvesse um fim. Os tons terrosos e esverdeados podem remeter a uma paisagem em estado completo de abstração, considerando que elementos da natureza estão presentes de modo mais figurativo em outras obras da artista. 

Olívia Lacerda. Antes de Ontem, 2021

O artista Jorge Ismael utiliza a técnica de action painting, popularizada por Jackson Pollock, o mais conhecido expressionista abstrato. A técnica permite que artistas desenvolvam composições abstratas através da gestualidade e imprevisibilidade. As obras de Ismael também contam com um aspecto de diluição, pelo qual as diferentes texturas e tonalidades se afetam sobre a superfície da tela. 

Jorge Ismael. 8, 2021

Camadas e sobreposições

Algumas pesquisas no abstracionismo culminam em composições que parecem fazer referência a elementos da natureza ou artificiais, ainda que o resultado final não se aproxime de uma imagem representativa. Na fotografia, a sobreposição de diversas imagens possibilita a criação de outras imagens, fugindo do caráter documental desta linguagem. Em Visões da Natureza, Gilda Goulart utiliza elementos naturais para compor sua obra. 

Gilda Goulart. Visões da Natureza, 2015

De modo mais experimental, os referenciais iniciais se perdem para formar uma composição abstrata. Ferramentas muito utilizadas nestes processos fotográficos são o recorte e a ampliação de fragmentos, dando novos sentidos para esses referenciais captados pela câmera. Outras obras de Goulart demonstram como os mesmos processos fotográficos podem resultar em trabalhos mais abstratos e outros mais figurativos, o que demonstra uma versatilidade da linguagem a partir de uma amplitude e imprevisibilidade nos resultados. 

Esculturas abstratas e relações espaciais 

Claudia Kiatake. MUTANTE, 2021

A abstração na escultura expande a experiência perceptiva do observador. Como pode ser notado em Mutante, de Claudia Kiatake, a cada ângulo observado a obra adquire uma nova forma. Sua organicidade na estrutura curvilínea possibilita que o objeto se transforme diante dos nossos olhos. Além disso, a textura brilhante atribui ao objeto diferentes visualidades de acordo com a iluminação local e tudo que o cerca no ambiente, demonstrando a efemeridade da escultura. 

Mary Carmen Matias. Movimento Congelado, 2015

Obras tridimensionais no geral tendem a trazer diferentes relações espaciais onde são inseridas. Movimento Congelado de Mary Carmen Matias é uma obra criada a partir da repetição de uma forma: o anel. Na reconstrução de um movimento em ascensão através da liga entre os anéis, a artista parece desafiar a gravidade frente aos nossos olhos. Ainda que a materialidade do metal seja tão tangível, a escultura abstrata ainda foge de uma representação objetiva. 

Todos estes trabalhos e outros presentes na seleção Abstratos Artsoul demonstram a capacidade do abstracionismo em gerar novos sentidos através de elementos básicos constituintes da arte: cores, formas e linhas – possibilitando associações e interpretações inesgotáveis. Cada obra encontra sua maneira de reelaborar problemas e gerar novas soluções plásticas partindo desses mesmos elementos. 

Confira aqui a seleção completa

Diogo Barros é curador, arte educador e crítico, formado em História da Arte, Crítica e Curadoria pela PUC SP.


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