A nova geração da tapeçaria na arte

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Conheça artistas que estão renovando as tradicionais técnicas de tapeçaria com suas pesquisas multimídia

As técnicas de tapeçaria desempenharam diversos papéis ao longo da história da arte. Agora, uma nova geração de artistas revisita essa linguagem a partir do entrelaçamento de mídias e a renovação dos temas apresentados nas peças. 

Tradicionalmente, as tapeçarias eram baseadas em cartões feitos em pequena ou média escala, geralmente pintados a óleo ou guache. Hoje, artistas investigam a conversão de imagens digitais em arte têxtil. Uma série de pesquisas encontrou nas imagens pixeladas, de baixa resolução, um ponto comum com a visualidade da tapeçaria, como ocorre nos trabalhos recentes de Gabriel Pessoto. 

Em tempos de aceleramento da produtividade, essas pesquisas que resgatam uma linguagem tradicional e mais demorada se mostram uma resistência, como comenta Pessoto: 

Repensar o conteúdo que é tramado, tal como o ato “radical” para o nosso tempo acelerado – dedicar meses à produção de poucos objetos, reativa a tapeçaria enquanto técnica pertinente para formular o presente“.

Renan Estivan. Laranja Solar. Foto cedida pelo artista. 

Inspirado pela produção baiana de tapeçaria artística, Renan Estivan também pesquisa a relação dos pixels com os pontos de tecelagem para representar a anatomia humana e o erotismo. “Essa técnica de bordado em pontos quadrados é o resultado final de um trabalho de colagem digital e vetorização em pixel arte, uma finalização artesanal para um processo digital“, comenta Estivan.

Para além da discussão da técnica e da visualidade entre o digital e o manual, os artistas também atualizam as narrativas tecidas, como ocorre no trabalho de Emanuela Boccia, que investiga as imagens nas redes sociais. 

Emanuela Boccia. #love, 2021

O interesse por esse ponto-pixel está diretamente ligado à minha pesquisa que trata do acúmulo de imagens no Instagram ou quando a imagem ganha mais importância que o próprio indivíduo. Eu brinco que é um figurativo abstrato, o representado não é o foco e sim o que ele representa, é como o Instagram e os algoritmos funcionam“, comenta Boccia. 

As novas tecnologias por vezes desvinculam o processo de produção da peça de toda a tradição envolvida na tapeçaria. A técnica tufting foi reinventada a partir da criação de uma pistola de alta velocidade, que permite a tecelagem de um tapete de forma mais livre. Uma artista que trabalha com essa técnica é Helena Obersteiner, que elabora imagens mais orgânicas, entre o figurativo e o abstrato. 

A integração de diversas mídias é uma marca da contemporaneidade, o que traz à tapeçaria novas possibilidades e significados. Outra pesquisa interessante nesse sentido é a de Alê Jordão, artista interdisciplinar que inaugurou recentemente uma exposição individual na Choque Cultural, com oito tapeçarias feitas a partir de radiografias tiradas do próprio corpo. 

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Diogo Barros é curador, arte educador e crítico, formado em História da Arte, Crítica e Curadoria pela PUC SP.

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