

A concepção de um ambiente vai muito além da estética. É preciso atender necessidades mais amplas e criar espaços que refletem a identidade de quem os habita. O design em 2026 reforça essa perspectiva, o que significa pensar no tipo de atmosfera desejada, nas sensações que ela deve despertar e nas conexões que pode estabelecer.
Essas necessidades, porém, não são estáticas — elas mudam conforme o tempo. Por isso, as tendências acompanham essas transformações e se manifestam de formas diversas, refletindo tanto urgências globais quanto individualidades. O momento atual pede algo específico: em meio ao ritmo acelerado do mundo, surgem buscas por tranquilidade, identidade, acolhimento e sustentabilidade.
Segundo Monica Levandoski, consultora sênior da WGSN entrevistada pela Casa Vogue, as previsões apontam “um aumento no maximalismo, no artesanato e nas referências nostálgicas”, acompanhado de uma busca por espaços que despertam emoções.
Nesse contexto, há um desejo crescente de viver em interiores que dialogam com narrativas pessoais e referências regionais — as pessoas querem sentir que habitam um lar com histórias, não um catálogo de revista. Assim, a casa se torna um lugar de identidade, memória e afeto.


A natureza se integra aos interiores contemporâneos não apenas como elemento estético, mas também como base emocional do projeto. Com o objetivo de criar uma atmosfera que beneficia corpo e mente, o espaço se torna um aliado do bem-estar.
Nesse sentido, o design biofílico vem ganhando força e representa uma das grandes transformações do design em 2026. Essa abordagem propõe a integração de plantas vivas, fibras orgânicas e texturas que remetem à natureza aos espaços internos. Estudos sobre o tema mostram que ambientes desenhados com esses princípios reduzem o estresse fisiológico e ampliam sensações de calma e satisfação. É uma tendência que vai além da estética e se estende ao campo do autocuidado.
Na prática, essa filosofia se manifesta através de escolhas materiais específicas. Aliados à luz natural, elementos como madeira, palha e pedra em estado bruto criam espaços semelhantes a um oásis, transformando o projeto em uma experiência sensorial.


Na década de 2010, o minimalismo explorou a beleza na simplicidade, influenciando a arquitetura e a decoração como reação à cultura do excesso. Essa necessidade surgiu do maximalismo dos anos 2000, que ressurge duas décadas depois em um movimento cíclico, trazendo de volta a mistura, a espontaneidade e a liberdade estética.
Esse retorno se manifesta de forma concreta. Por exemplo, paletas de cores vibrantes substituem tons neutros; texturas variadas se sobrepõem; peças de diferentes estilos e épocas dividem o mesmo ambiente. A rigidez cede lugar à pluralidade, a uniformidade à expressão pessoal, as regras à individualidade.


Diante da urgência climática crescente, a sustentabilidade se aprofunda e deixa de ser opcional para se tornar parte essencial do cotidiano. Em 2026, esse movimento ganha ainda mais força, consolidando-se como pilar fundamental.
Nesse contexto, os projetos operam sob a consciência de que toda escolha material carrega implicações ambientais, sociais e simbólicas. Como resultado, os interiores exigem cada vez mais materiais de baixo carbono, biodegradáveis e de impacto reduzido.
Na prática, essas inovações incluem produtos derivados de elementos orgânicos, bactérias e micélios, estabelecendo uma colaboração entre criação e natureza. Além disso, ganham destaque peças que preservam suas origens em estado bruto, trazendo texturas rústicas, cores naturais e formas orgânicas aos ambientes.


As tendências deste ano se apresentam como reflexo do tempo em que vivemos e se adaptam ao contexto contemporâneo. Escolhas estéticas, sejam maximalistas, orgânicas, artesanais ou sustentáveis, surgem da tentativa de conciliar o íntimo com o urgente, o individual com o coletivo.
Cada casa se torna, assim, uma expressão singular, construída a partir de afetos, valores e necessidades próprias. O design passa a funcionar como linguagem pessoal e posicionamento, reflexo do presente. O modo de habitar se adapta à individualidade, abrindo espaço para múltiplas formas de existir. Por fim, mais do que agradar aos olhos, o design em 2026 busca acolher, provocar reflexão e comunicar identidade.
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